O CONSELHO DOS BICHOS
O CONSELHO DOS BICHOS Assede Paiva Era uma tarde de verão. O sol já começava a descer atrás do morro, dourando o pasto e alongando as sombras das árvores. No curral, na pocilga e no estábulo da velha fazenda, os animais estavam inquietos. E havia uma razão: naquela noite, depois que os homens se recolhessem, eles fariam uma reunião de pauta única: o bicho homem. O primeiro a chegar foi o cavalo Alazão. Pataleou, trotou até o centro, sacudiu a crina e relinchou: — Meus amigos, precisamos conversar sobre nosso tutor. O touro, Barroso, enorme e pachorrento, levantou a cabeça, sacudiu o cocuruto e bramou: — O que há para conversar? Nós o conhecemos desde que aqui viemos. — Justamente por isso — respondeu Alazão. — os homens são os seres mais estranhos que já pisaram na terra e, se intitulam nossos donos. Glu, glu, glu! Aquiesceu o peru, arrepiando as penas. Um bezerro, que brincava perto da cerca, aproximou-se e gaiteou: — Estranhos como? Alazão, o cavalo, olhou para ele. — São capaze...