O CERCO DOS REMÉDIOS
O CERCO DOS REMÉDIOS Asséde Paiva Naquele tempo, (tempo do onça), doença não chegava sozinha. Vinha acompanhada de medo, rezas, palpites e uma procissão inteira de remédios caseiros. Catapora vinha pipocando igual milho na panela. Caxumba chegava inchando pescoço de menino. Coqueluche fazia a noite inteira tossir. Sarampo punha fogo no corpo. Terçol fazia o olho virar brasa. E dor de barriga então? Essa aparecia sem pedir licença, dobrando cristão em dois. Havia vento virado, nó nas tripas, morfeia etc. Mas o povo antigo não se entregava fácil, na verdade, morriam aos montes, talvez 50%. Bastava alguém espirrar e já começava a invasão das mezinhas. Primeiro entrava o chá de funcho, fumegando dentro de caneca esmaltada, com pose de general da banda: — Deixa comigo essa barriga inchada e solta! Atrás dele vinha a folha de laranjeira, calma, cheirosa, parecendo benzedeira: — O que o nervoso fez, eu desfaço... A canela e cravo chegavam se achando importantes: — Esquenta o sangue! Exp...