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OS BENGALINHAS

  Ainda havia muita névoa deitada pelo chão quando Joaquim/Juca — a quem o povo chamava apenas de J. — levantou-se da cama de varas. Lavou o rosto emagrecido na água fria da bacia, alisou o queixo crestado e percebeu que a barba embranquecida crescera em remoinhos, como capim depois da geada. Olhou-se no espelho rachado e tartamudeou: — Preciso fazê essa barba... Tá feia demais... Disse sem convicção. Havia muito tempo que já não fazia questão da aparência. Na idade em que chegara, o espelho servia mais para confirmar que ainda estava vivo. Sem perceber, afivelou a máscara da culpa....  Quem veste esta máscara esquece o próprio rosto. A cozinha cheirava a café recém-coado. Bebeu-o amargo (detestava café com garapa), acompanhado apenas de um pedaço de broa endurecida. Depois apanhou a velha bengala de guatambu, companheira de muitos anos. Saiu mascando fumo de rolo. Seria o dia da verdade. A neblina escondia cercas, morros e árvores. Apenas as copas mais altas apareciam, como i...

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