Pular para o conteúdo principal

Destaques

Os Invasores

  Os Invasores Asséde Paiva & ChatGPT Na vila de Santa Eulália dos Cascais — dessas que têm mais fé do que farmacopeia — começou tudo com uma coceira. Primeiro, dona Almerinda acordou com a sensação de formigas invisíveis caminhando pelos seus braços. Depois, seu Norberto jurou ter ouvido passos miúdos no forro da casa, como se ratinhos calçassem tamancos. Em três dias, metade da vila estava acometida de sintomas variados: ardor nos olhos, tosse, palpitações repentinas, arrepios fora de hora e uma tristeza que vinha do nada, como nuvem sem céu. Coisas estranhas aconteciam... — São invasores — decretou o fígaro Epitácio, que, na hemeroteca, lia jornais velhos, revistas ensebadas e, por isso mesmo, se julgava atualizado. Mas que invasores? Ninguém os vira. Não havia pegadas, nem sombras, não havia estrangeiro hospedado na pensão de dona Gertrudes. Ainda assim, estavam ali — invisíveis, insinuantes, perturbadores. A primeira providência veio da farmácia homeopática do dr. Belisá...

Dilúvio

Dilúvio


A natureza não pede socorro, se vinga. (Joelmir Beting)



Um cavalo pastava mansamente na várzea, como fazem os bons cavalos. Ele não sabia, ou sabia? Que algo estava para acontecer. Ele continuava a pastar, os cavalos pastam até que seu tutor venha buscá-lo para alguma tarefa.... Puxar charrete, por exemplo, ou cavalgar com o patrão? Buscar uma boiada? Ele não sabia o que viria a fazer. Tempos difíceis viriam. Ah, ele era chamado Marrom pelo pêlo que ostentava. Assim, sua vida corria rotineiramente, como corre para bons cavalos. Aí, começou a chover, e choveu dias e dias... muita chuva no mundo de Deus. Ele não se incomodou: Chuvas vão e vêm, mas esta era diferente, não era um chuvisco, era diluvial, mesmo. A chuva cresceu o córrego, o carregou e o desgraçou no rio. O rio subiu que subiu. O rio já era mar e, na várzea pegou Marrom. Ele se foi com as águas daquele mar. Enquanto pôde, nadou, depois entregou-se cansado. deixou-se ir para os confins deste mundo d’água. Mas não era seu fim, o destino interviu: as águas levaram-no à cidade grande e na cidade, outrora Alegre agora, estava triste com o dilúvio. As águas tiveram dó do animal e o depositaram no telhado de uma casa, submersa; e, lá ele ficou inerte, inanimado, traumatizado. O cavalo parecia Kung Fu meditando. Alguém o viu, alguém o mostrou na TV. Juntaram gentes e, o doparam; dopado já estava ele de susto e medo. Numa balsa foi jogado e salvo. Mudaram seu nome de Marrom para Valente e   depois para Caramelo. Ele está feliz, a humanidade o salvou.

Comentários

Postar um comentário

Mais lidas