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DOIS AMIGOS, DOIS CAMINHOS

 DOIS AMIGOS, DOIS CAMINHOS Asséde Paiva Nem sempre os que estão mais perto fazem melhor companhia.  Mesmo com sol encoberto,  todos sabem quando é dia. (Cecília Meireles) Toda grande amizade tem um ponto de partida. A deles nasceu na poeirenta rua, ainda sem asfalto, a antiga Rio–BH, ou BR 0-40. Lucas e Gabriel tinham apenas seis anos quando brigaram pela mesma bola de gude. Em menos de uma hora, dividiam o mesmo saco de bolinhas coloridas e um picolé que derretia mais depressa do que conseguiam lamber. Naquele fim de tarde, sem perceber, haviam escolhido um ao outro para toda a vida. Cresceram como irmãos. Na verdade, mais que irmãos, eram almas gêmeas. Os dois amigos subiam em árvores, pescavam lambaris no córrego, soltavam pipas e sonhavam com o futuro, enquanto olhavam as estrelas deitados sobre o capô enferrujado do velho automóvel abandonado no terreno baldio. Quem os conhecia dizia que eram dois meninos extraordinários. Gabriel resolvia problemas de aritmética ant...

Dolly

 

Dolly



ELEGIA A UMA CALOPSITA


Asséde Paiva











Dolly

Eu te amava...

Você me amava...

Danadinha...

Você nos pregou uma dolorosa peça...

Por que nos deixou?

Ainda ontem, eu fazia planos para você: pensava que quando viesse a nossa casa, lá pelo fim do ano, eu iria deitar na sala, para conversarmos bem baixinho, para que você subisse às minhas costas e começasse a se coçar, arrancando plumas.  

Mas você foi embora...

Nem me avisou.

Voou como um passarinho...

Ainda ontem, eu imaginava você aninhada na concha da minha mão, enquanto fazia cicios ao receber meus carinhos.

Sinhazinha, eu até penso que você me beijou...

Por que você foi embora?

Sabe que os nossos corações estão chorando de pesar.

Mas sinto que você era feliz com a gente.

Agora, você nos deixou e foi voar eternamente nos céus dos passarinhos.

Vai Dolly, vai para o céu, seja muito feliz com todos os pássaros que se foram e que ainda habitam nossos corações.

Vai para junto do Deus, que ama os pássaros... todos os pássaros.

Você nos deixou, nós jamais a esqueceremos: subindo em nossas pernas, bicando os botões de nossa camisa, dando voos rasantes pela cozinha, chamando-nos com piados estridentes, comendo seu alpiste.

Sentiremos sua presença nos acompanhando pelas repartições da casa.

Não nos esqueceremos dos seus banhos no pratinho, não nos esqueceremos das horas que almoçávamos e tomávamos café ao mesmo tempo.

Ainda sentimos seu descanso sobre nossos ombros, e, porque não dizer, até sentimos falta dos seus cocôs.

Dolly! Você é demais. Até quando ficava de cabeça para baixo na sua pousada.

Eu te amava, tu me amavas, todos nós te amávamos.

Se, no céu dos passarinhos, vires um pássaro-preto dê a ele um grande pio por mim... ele foi meu primeiro amigão da linhagem das aves.

Adeus, amiga! Estamos chorando por você. Nós veremos em céu estrelado...


Seus fãs: Asséde pai, Asséde filho, Cecy, Nina e Julia.

Sejamos como os pássaros que, ao pousarem um instante sobre ramos muito leves, sentem-nos ceder, mas cantam! Eles sabem que possuem asas.

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