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FESTA NO ARRAIAL DE PAULA LIMA

 FESTA NO ARRAIAL DE PAULA LIMA Asséde Paiva QUANDO o sino da igrejinha bateu três vezes, o arraial já fervilhava de gente. Bandeirinhas coloridas riscavam o céu em fileiras alegres, dançando com o vento manso do entardecer. O cheiro de milho cozido, canjica e pão doce escapava das barraquinhas, misturando-se com o perfume simples da terra batida. Ti Tão (tio Sebastião), o sacristão, serelepe ia um lado para o outro ajeitando tudo, enquanto a banda de música afinava os instrumentos sob magnífica mangueira antiga. Trompetes ensaiavam notas indecisas, o bumbo respondia grave, e o clarinete parecia rir sozinho. O tarol do Dé ensaiava as batidas do Dobrado. — Hoje vai ser bonito! — disse dona Maricotinha, ajeitando o lenço na cabeça, com olhos brilhando mais que lamparina nova. O pároco chegou pouco depois. Padre Nelson estava sorridente, alisando a batina, cumprimentando um por um, como quem abraça o próprio povo. A missa começou com devoção sincera: rezas cantadas, vozes humildes, ol...

Dolly

 

Dolly



ELEGIA A UMA CALOPSITA


Asséde Paiva











Dolly

Eu te amava...

Você me amava...

Danadinha...

Você nos pregou uma dolorosa peça...

Por que nos deixou?

Ainda ontem, eu fazia planos para você: pensava que quando viesse a nossa casa, lá pelo fim do ano, eu iria deitar na sala, para conversarmos bem baixinho, para que você subisse às minhas costas e começasse a se coçar, arrancando plumas.  

Mas você foi embora...

Nem me avisou.

Voou como um passarinho...

Ainda ontem, eu imaginava você aninhada na concha da minha mão, enquanto fazia cicios ao receber meus carinhos.

Sinhazinha, eu até penso que você me beijou...

Por que você foi embora?

Sabe que os nossos corações estão chorando de pesar.

Mas sinto que você era feliz com a gente.

Agora, você nos deixou e foi voar eternamente nos céus dos passarinhos.

Vai Dolly, vai para o céu, seja muito feliz com todos os pássaros que se foram e que ainda habitam nossos corações.

Vai para junto do Deus, que ama os pássaros... todos os pássaros.

Você nos deixou, nós jamais a esqueceremos: subindo em nossas pernas, bicando os botões de nossa camisa, dando voos rasantes pela cozinha, chamando-nos com piados estridentes, comendo seu alpiste.

Sentiremos sua presença nos acompanhando pelas repartições da casa.

Não nos esqueceremos dos seus banhos no pratinho, não nos esqueceremos das horas que almoçávamos e tomávamos café ao mesmo tempo.

Ainda sentimos seu descanso sobre nossos ombros, e, porque não dizer, até sentimos falta dos seus cocôs.

Dolly! Você é demais. Até quando ficava de cabeça para baixo na sua pousada.

Eu te amava, tu me amavas, todos nós te amávamos.

Se, no céu dos passarinhos, vires um pássaro-preto dê a ele um grande pio por mim... ele foi meu primeiro amigão da linhagem das aves.

Adeus, amiga! Estamos chorando por você. Nós veremos em céu estrelado...


Seus fãs: Asséde pai, Asséde filho, Cecy, Nina e Julia.

Sejamos como os pássaros que, ao pousarem um instante sobre ramos muito leves, sentem-nos ceder, mas cantam! Eles sabem que possuem asas.

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