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Amenta da discórdia

Asséde Paiva & Chat GPT Na antiga vila de Rosário, cercada por montes cobertos de neblina, havia um costume tão velho quanto a própria igreja: após a celebração do Dia de Finados, os paroquianos ofereciam ao padre uma pequena amenta — contribuição em dinheiro e mantimentos — como sinal de gratidão pelas missas rezadas e celebrações em favor das almas dos falecidos. Durante décadas, o costume jamais fora esquecido. Mas naquele ano, por descuido, avareza ou simples distração coletiva, ninguém se lembrou da amenta devida ao padre Arruda. Isso foi lamentável... A missa dos Finados fora longa e solene. O sacerdote mencionara centenas de nomes, alguns já apagados da memória dos próprios descendentes. O cemitério era do tempo da escravidão. O padre Arruda rezara com fervor, depois, acompanhado pelos paroquianos fora ao campo santo e aspergira água benta sobre as sepulturas, enquanto caminhara sob um sol inclemente. Ao regressar à sacristia, retirou os paramentos e aguardou a amenta. Esper...

Dolly

 

Dolly



ELEGIA A UMA CALOPSITA


Asséde Paiva











Dolly

Eu te amava...

Você me amava...

Danadinha...

Você nos pregou uma dolorosa peça...

Por que nos deixou?

Ainda ontem, eu fazia planos para você: pensava que quando viesse a nossa casa, lá pelo fim do ano, eu iria deitar na sala, para conversarmos bem baixinho, para que você subisse às minhas costas e começasse a se coçar, arrancando plumas.  

Mas você foi embora...

Nem me avisou.

Voou como um passarinho...

Ainda ontem, eu imaginava você aninhada na concha da minha mão, enquanto fazia cicios ao receber meus carinhos.

Sinhazinha, eu até penso que você me beijou...

Por que você foi embora?

Sabe que os nossos corações estão chorando de pesar.

Mas sinto que você era feliz com a gente.

Agora, você nos deixou e foi voar eternamente nos céus dos passarinhos.

Vai Dolly, vai para o céu, seja muito feliz com todos os pássaros que se foram e que ainda habitam nossos corações.

Vai para junto do Deus, que ama os pássaros... todos os pássaros.

Você nos deixou, nós jamais a esqueceremos: subindo em nossas pernas, bicando os botões de nossa camisa, dando voos rasantes pela cozinha, chamando-nos com piados estridentes, comendo seu alpiste.

Sentiremos sua presença nos acompanhando pelas repartições da casa.

Não nos esqueceremos dos seus banhos no pratinho, não nos esqueceremos das horas que almoçávamos e tomávamos café ao mesmo tempo.

Ainda sentimos seu descanso sobre nossos ombros, e, porque não dizer, até sentimos falta dos seus cocôs.

Dolly! Você é demais. Até quando ficava de cabeça para baixo na sua pousada.

Eu te amava, tu me amavas, todos nós te amávamos.

Se, no céu dos passarinhos, vires um pássaro-preto dê a ele um grande pio por mim... ele foi meu primeiro amigão da linhagem das aves.

Adeus, amiga! Estamos chorando por você. Nós veremos em céu estrelado...


Seus fãs: Asséde pai, Asséde filho, Cecy, Nina e Julia.

Sejamos como os pássaros que, ao pousarem um instante sobre ramos muito leves, sentem-nos ceder, mas cantam! Eles sabem que possuem asas.

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