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ABIGEATO FATÍDICO

  ABIGEATO FATÍDICO Asséde Paiva & Chat GPT Naquela época, as fazendas da região de Paula Lima e adjacências ainda guardavam sombras antigas e lendas urbanas. O gado pastava livre pelos morros, pastos e vargens. Os homens trancavam as portas cedo, não por medo de ladrões comuns, mas por causa das histórias que corriam de boca em boca. Diziam que vacas desapareciam sem deixar rastros, e que os abigeatários acabavam encontrando um destino pior que a prisão. Muitos diziam que já caminhavam para o inferno antes mesmo de morrer. Fazendeiros passaram noites em vigília, com armas na mão, à espera dos ladrões, nas eles pareciam adivinhar e roubavam noutro lugar. Eram espertos e tinham informantes tão desonestos quanto eles. Às vezes, os bandidos abatiam e descarnavam os animais no local. No dia seguinte, o dono só encontrava a carcaça, sangue e vísceras. Foi numa noite sem lua que Geraldo e Nicanor, notórios ladrões de gado na região (Zona da Mata), resolveram roubar uma rês branca per...

Dolly

 

Dolly



ELEGIA A UMA CALOPSITA


Asséde Paiva











Dolly

Eu te amava...

Você me amava...

Danadinha...

Você nos pregou uma dolorosa peça...

Por que nos deixou?

Ainda ontem, eu fazia planos para você: pensava que quando viesse a nossa casa, lá pelo fim do ano, eu iria deitar na sala, para conversarmos bem baixinho, para que você subisse às minhas costas e começasse a se coçar, arrancando plumas.  

Mas você foi embora...

Nem me avisou.

Voou como um passarinho...

Ainda ontem, eu imaginava você aninhada na concha da minha mão, enquanto fazia cicios ao receber meus carinhos.

Sinhazinha, eu até penso que você me beijou...

Por que você foi embora?

Sabe que os nossos corações estão chorando de pesar.

Mas sinto que você era feliz com a gente.

Agora, você nos deixou e foi voar eternamente nos céus dos passarinhos.

Vai Dolly, vai para o céu, seja muito feliz com todos os pássaros que se foram e que ainda habitam nossos corações.

Vai para junto do Deus, que ama os pássaros... todos os pássaros.

Você nos deixou, nós jamais a esqueceremos: subindo em nossas pernas, bicando os botões de nossa camisa, dando voos rasantes pela cozinha, chamando-nos com piados estridentes, comendo seu alpiste.

Sentiremos sua presença nos acompanhando pelas repartições da casa.

Não nos esqueceremos dos seus banhos no pratinho, não nos esqueceremos das horas que almoçávamos e tomávamos café ao mesmo tempo.

Ainda sentimos seu descanso sobre nossos ombros, e, porque não dizer, até sentimos falta dos seus cocôs.

Dolly! Você é demais. Até quando ficava de cabeça para baixo na sua pousada.

Eu te amava, tu me amavas, todos nós te amávamos.

Se, no céu dos passarinhos, vires um pássaro-preto dê a ele um grande pio por mim... ele foi meu primeiro amigão da linhagem das aves.

Adeus, amiga! Estamos chorando por você. Nós veremos em céu estrelado...


Seus fãs: Asséde pai, Asséde filho, Cecy, Nina e Julia.

Sejamos como os pássaros que, ao pousarem um instante sobre ramos muito leves, sentem-nos ceder, mas cantam! Eles sabem que possuem asas.

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