FESTA NO ARRAIAL DE PAULA LIMA
FESTA NO ARRAIAL DE PAULA LIMA Asséde Paiva QUANDO o sino da igrejinha bateu três vezes, o arraial já fervilhava de gente. Bandeirinhas coloridas riscavam o céu em fileiras alegres, dançando com o vento manso do entardecer. O cheiro de milho cozido, canjica e pão doce escapava das barraquinhas, misturando-se com o perfume simples da terra batida. Ti Tão (tio Sebastião), o sacristão, serelepe ia um lado para o outro ajeitando tudo, enquanto a banda de música afinava os instrumentos sob magnífica mangueira antiga. Trompetes ensaiavam notas indecisas, o bumbo respondia grave, e o clarinete parecia rir sozinho. O tarol do Dé ensaiava as batidas do Dobrado. — Hoje vai ser bonito! — disse dona Maricotinha, ajeitando o lenço na cabeça, com olhos brilhando mais que lamparina nova. O pároco chegou pouco depois. Padre Nelson estava sorridente, alisando a batina, cumprimentando um por um, como quem abraça o próprio povo. A missa começou com devoção sincera: rezas cantadas, vozes humildes, ol...